A gente programa reunião, consulta, viagem, compromisso, e esquece de programar o que mais importa.

Fazer bolo com a minha neta não estava na lista de hoje. Mas ela chamou, eu larguei tudo e fui, e não me arrependo de nada que ficou pra depois.

Ficamos ali, ela querendo misturar tudo de uma vez, eu tentando não atrapalhar a animação dela, as duas sujas de farinha e inteiras naquela tarde.

Não tinha nada de extraordinário acontecendo. Era só isso, uma tarde na cozinha com ela. E é justamente aí que eu entendo por que construí tudo o que construí.

A rotina continua corrida e o tempo passa sem pedir licença. Por isso eu escolho estar presente enquanto eles ainda me chamam, enquanto ainda acham que a vó sabe de tudo.
Um dia essas tardes na cozinha vão virar memória. Enquanto não viram, a agenda espera.

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